quinta-feira, 18 de junho de 2015

A Carta

   Nem todas as histórias têm de começar com "era uma vez" ou até mesmo com "um certo dia". As histórias somos nós que as construímos, que as reproduzimos à nossa maneira. De todas as histórias que eu escrevo, as que mais gosto de escrever são as de amor. As de amor, porquê? Ora, porque são aquelas com as quais eu vibro mais, as que mais sinto como minhas, se é que no fundo não serão mesmo minhas, é um segredo meu. 
Hoje, decidi escrever uma história de amor. Uma história de amor ainda no início mas que se pode transformar numa grande história de amor, numa bonita história de amor. 
    Ele é um jovem de dezanove anos que já passou muito a nível amoroso, é receoso e distante dela. Ela uma rapariguinha com dezassete anos que está desgastada de relações mal conseguidas que a destruíram muito e a tornaram mais vulnerável, tem medo, medo de amar mas, no entanto, no seu íntimo começa a amá-lo. Ele é o Martim. Ela é a Matilde. 
    Esta história começou à cerca de três meses, ou melhor, antes, muito antes. Ele pediu-lhe em amizade no facebook e ela desde o dia em que o aceitou reparava nele, nas coisas que ele postava, nas suas fotografias e em tudo dele contudo, nunca foi desperta para falar com ele. Como estava a dizer, tudo começou à dois meses aproximadamente, sou muito má com datas e relação espaço-tempo, ele decidiu segui-la no twitter, coisa que ela estranhou de tal maneira mas acabou por ceder e permitir que ele a seguisse, seguindo-lo de volta. A Matilde foi lendo as coisas que ele postava no twitter e percebeu que ele estava em baixo e sentiu que ele estava um pouco desorientado. Ela, como é tão "protetora do mundo", decidiu ir falar com ele e tranquilizá-lo dizendo-lhe que era uma questão de tempo, que tudo ia passar como na vida tudo passa. O Martim deixou de ser indiferente para a Matilde. A Matilde passou a olhar para ele com outros olhos, olhos de quem se preocupa, de quem gosta. As conversas foram desenrolando, desenrolando e a pequena Matilde percebeu que ele não era só um "ele", era "ele." A Matilde passou a falar dele às amigas, sempre com um sorrisinho, tímido, negando sentir algo pelo Martim. Evidentemente que o fazia, já tinha sofrido tanto, já tinha uma história tão longa, com tantas páginas que não queria magoar-se, só a ideia de pensar que podia estar a gostar dele transtornava-a. No entanto, o bichinho permanecia sempre no coraçãozinho desta pequena princesinha. Ela, que tantas e tantas noites sonhava com ele, negava o amor que começara a sentir. Não é que amar fosse ou seja mau, mas sim por ter medo, única e exclusivamente medo de amar, mais concretamente de sofrer. 
    Perguntam-me então, "quando é que a Matilde se apercebeu realmente que sentia algo pelo Martim?". Eu explico: a Matilde sonhava com o Martim, criava a voz que ele poderia possuir, criava a relação deles, criava todo um mundo. Foi nesse momento, nesses sonhos, nos dias em que ela só pensava nele, mesmo quando olhava para o vazio ou até quando estava no meio da multidão que ela percebeu que havia algo mais do que uma simples conversa. 
    Não digo que seja amor, daqueles enormes e eternos, não. A Matilde ainda não sente isso mas sente aquele bichinho de o querer por perto, de querer falar com ele horas e horas e horas e horas a fio, de ter a surpresa de ele lhe ligar a dizer "eu fico, por ti, eu fico". A Matilde tem imenso medo de se desiludir, de estragar a amizade deles, mas ao mesmo tempo a Matilde quer arriscar, quer sentir-se a miúda que é e quer ser "a eterna apaixonada". Ela está disposta a arriscar, ainda que corra "muitos riscos" mas sem lutas ninguém vence as batalhas. A Matilde sou eu. O Martim és tu. 
    E o amor, quem é? 

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