Aquela porta por onde tu entras todas as noites após um longo dia de trabalho. O mundo que tu abres diferente daquele que acabas de sair. A melancolia, a solidão que aquele objeto trás com ele. É um misto de sensações sem descrição porque são sensações contrárias, completas antíteses do quotidiano. Após aquela porta tu fazes tudo, chamas-te nomes, gritas contigo, puxas os teus lindos cabelos apenas porque vens carregada de interrogações, dúvidas e incertezas; conflitos entre o teu coração, esse pequeno músculo cheio de sentimentos que bate atabalhoadamente, e os teus pensamentos, proferidos pelo teu sobredotado cérebro que tudo faz para que não te magoes embora te continues sempre a magoar como de um ciclo vicioso se tratasse.
Aqui, no teu recanto, desabas. Deixas de ser tu: simples, forte e com um enorme sorriso no rosto; tornas-te frágil, vulnerável. Passas a ser tudo aquilo que mais odeias mas ao mesmo tempo o que mais te liberta.
Surgem-te mais dúvidas: o porquê de continuares a pensar em quem não vale a pena ou até mesmo o porquê de ainda continuares parada, sentada a ver a tua vida passar, mas .. aí ficas, sentada a ver tudo acontecer com a maior das intensidades sem mudares as coisas para o teu modo.
Por esta altura já és repugnante aos olhos de outrem porque deixaste de te envolver nas coisas, aparentas viver só para ti e para teu próprio bem contudo, na realidade, vives apenas cada dia e tentas superá-lo da melhor forma que consegues ainda que para ti seja pouco ou quase nada porque sabes que és bem mais capaz do que aquilo que executas neste momento.
Porque continuas aí nesse teu recanto em que não te impões perante as tuas lágrimas, perante a tua parte derrotista e te levantas? Levanta-te! Toma um bom banho, arranja-te para arrasares porque hoje é o teu dia: é o dia de seres feliz e deixares a assombração dessa porta para trás juntamente com todas as tuas mágoas e dissabores que a vida te proporcionou.
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